Não,não que seja de fato um álbum ruim,mas é um disco que te leva a ver o lado ruim de um vicio,e não apenas o lado poético (como por exemplo o White Pony do Deftones) da coisa.

O disco em questão é o Smile From The Streets You Hold,gravado em 1997 pelo John Frusciante,pra quem não sabe o guitarrista do Red Hot Chilli Peppers,que gravaram o maravilindo Blood Sugar Sex Magik.
Já falei sobre o John mas naquela época não tinha prestado tanta atenção na parte ruim da sua carreira.
Depois de sair da banda megafamosa,ele mergulhou num caminho aparente sem volta no vicio da heroína,droga clássica dos roqueiros,e fez um disco com violões depressivos,vocais ruins,qualidade suspeita...um disco que para uma pessoa sóbria ou até um apreciador de música,vai soar muito ruim,e devo concordar.
Mas quando você passa seus dias na rua passando mal atrás de mais drogas,o S.F.T.Y.H faz todo o sentido do mundo: é uma menta perdida,desesperada,cheio de melancolia e coisas sem nexos,e tudo isso acaba se tornando um tipo de poesia gravada,uma representação sem mentiras do que um viciado pode se tornar.
Quando o Frusciante canta com o seu amigo River Phoenix,na música "Height Down" você consegue ver e escutar como os dois estavam frágeis,como um vidro prestes a se quebrar.Era só mais um pouco e talvez esse fosse o ultimo álbum do John (o que não foi o mesmo pro River,que morreu de overdose na mesma época...).
Tudo piora com "Life's Bath",uma música curta de apenas 1 minuto e 18,por ai...com um violão incrivelmente depressivo e o vocal do Frusciante como se estivesse trancado no quarto se drogando.O que não deixa de ser verdade pois na época do álbum,ele gravou um "clipe" em que injeta heroína com uma calma de dar medo...as vezes gostaria de entender (e me entender) como o vicio afunda tanto uma pessoa.
É dificil escutar o disco todo de uma vez,ou numa situação ruim,é difícil aguentar tanta coisa ruim,é uma escada para a bad trip.Nunca,até o momento pelo menos,eu escutei um disco que soasse tão desesperador e realista ao mesmo tempo,fez todo o sentido para mim,mas é LONGE de ser uma obra prima,escute como se fosse uma experiência,conhecer algo sem realmente usar...
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Mas o que eu acho mais bonito nessa historia toda é como depois o cara ficou limpo,gravou um dos discos mais fodas dos anos 90 e conseguiu criar uma carreira solo maravilhosa também,com discos escutáveis e solos lindos...o cara é um exemplo de como a música pode ser uma extensão da pessoa,mostrando o seu lado ruim e o seu lado bom...e isso é muito mais real,mais real do que o que várias bandas por ai tentam fazer.
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